Colesterol alto: o exame de sangue que muita gente ignora.
Como a dislipidemia se acumula silenciosamente nas artérias e por que o acompanhamento contínuo importa mais do que uma folha de laudo guardada na gaveta.
É comum receber no consultório pacientes que olham para o exame de sangue, comparam o valor do colesterol com os chamados "valores de referência" impressos pelo laboratório e concluem: "está dentro da média, então estou seguro". No entanto, na cardiologia moderna, não existe um número mágico universal para o colesterol que sirva para todas as pessoas.
A Formação da Placa Aterosclerótica
O colesterol é uma molécula lipídica vital para o corpo: participa da síntese de membranas celulares e de hormônios. No entanto, quando as partículas de lipoproteína de baixa densidade (o conhecido LDL-colesterol) circulam em excesso, elas tendem a penetrar na camada íntima das paredes arteriais, sofrendo oxidação.
O sistema imunológico reconhece essas partículas oxidadas como corpos estranhos, ativando macrófagos que se transformam nas chamadas "células espumosas". O resultado desse processo contínuo ao longo de anos é a formação da placa de ateroma, uma cápsula inflamatória que estreita a luz dos vasos sanguíneos e reduz o aporte de oxigênio para o miocárdio e para o cérebro.
Por que a meta de colesterol varia para cada pessoa?
Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a meta do LDL deve ser estipulada de acordo com o Escore de Risco Cardiovascular Global de cada indivíduo:
- Baixo Risco: Pacientes jovens, sem histórico familiar, não fumantes e sem outras comorbidades podem ter metas de LDL abaixo de 130 mg/dL.
- Risco Intermediário: Pacientes com hipertensão leve ou histórico familiar moderado requerem LDL abaixo de 100 mg/dL.
- Alto Risco: Pacientes com diabetes, doença renal crônica ou placas carotídeas identificadas no ultrassom Doppler necessitam de LDL estritamente abaixo de 70 mg/dL.
- Muito Alto Risco: Pacientes que já sofreram infarto prévio ou AVC exigem metas ainda mais rigorosas, frequentemente abaixo de 50 mg/dL.
Na Cardo Clínica, a avaliação do colesterol não se resume ao sangue: se o paciente apresenta colesterol elevado, frequentemente o Dr. João Cardoso Neto realiza o Doppler de Carótidas para verificar visualmente se já existem placas ateroscleróticas depositadas nas artérias do pescoço. Essa união diagnóstica muda completamente o tratamento.
Como agir de forma preventiva?
O controle da dislipidemia envolve estilo de vida saudável (dieta mediterrânea com fibras solúveis, gorduras insaturadas e prática regular de atividade aeróbica) somado, quando indicado, à terapia medicamentosa com estatinas e outros inibidores de absorção lipídica. A medicação estabiliza a capa da placa de gordura, impedindo que ela se rompa e gere um trombo fatal.
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